Fim de ano é hora de fazer balanços. No orçamento doméstico o saldo é a diferença entre nossas receitas e despesas. Para o Cantareira o balanço é a diferença entre o volume de água que chegou aos reservatórios e quanta água foi retirada deles. Os números estão na tabela no fim desta página. Os principais fatos:

  • Começamos 2015 com 70 milhões de m3m3 de água armazenada, um saldo negativo de -21,8% em relação ao volume morto.
  • Em 2015 o sistema Cantareira acumulou 219 milhões de m3m3 de água armazenada, e recuperou o volume morto em 30 de dezembro de 2015.
  • A recuperação aconteceu porque a retirada de água dos reservatórios foi apenas 43% do normal.
  • O total recuperado em 2015 é cerca de metade do que perdemos em 2014.
  • O total recuperado em 2015 é 22% do volume útil. Nesse ritmo levaremos quase 4 anos para encher completamente os reservatórios.
  • A quantidade água que entrou no Cantareira em 2015 corresponde à metade do que entra normalmente.
  • A baixa vazão de entrada não se deve às chuvas, que foram acima da média. O volume total de chuva que caiu sobre a bacia do Cantareira em 2015 foi 5% a mais que a média histórica.
  • Em 2015 19% da chuvas que caíram sobre a bacia tornou-se vazão de entrada. A média histórica é de 39%. Isso quer dizer que em 2015 a bacia teve metade da eficiência normal em converter a chuva em água armazenada.

Em resumo, fechamos o ano com uma vazão de entrada muito menor que a normal, apesar das chuvas já terem voltado. Só foi possível recuperar o volume morto por uma grande redução da retirada de água. O Cantareira sofreu uma transição crítica1, e ainda é incerto quando voltará ao normal. Enquanto não voltar, teremos que manter as baixas retiradas de 2015, e ainda assim esperar 4 anos para que os reservatórios encham.

Volumes anuais de chuva, entrada, saída e saldo no sistema Cantareira, em milhões de m3m3

Média histórica 2014 2015
Volume de chuva 3571 2203 3737
Entrada 1389 357 712
Saída 1135 842 493
Saldo entrada – saída 254 -484 219

Fontes:

Contato

O projeto Águas Futuras é uma iniciativa de pesquisadores da USP (Paulo Inácio Prado, do Instituto de Biociências) e da UNESP (Roberto Kraenkel e Renato Coutinho, do Instituto de Física Teórica) que usa modelos matemáticos para os sistema Cantareira a partir de dados públicos. A página do projeto http://cantareira.github.io é atualizada diariamente com projeções para cinco e trinta dias. Também estão disponíveis na página links para todos os dados e programas utilizados, todos de utilização livre não comercial. Boletins semanais estão disponíveis em https://aguasfuturas.wordpress.com/ .

email: renatocoutinho+cantareira@gmail.com


  1. Coutinho RM, Kraenkel RA, Prado PI (2015) Catastrophic Regime Shift in Water Reservoirs and São Paulo Water Supply Crisis. PLoS ONE 10(9): e0138278. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0138278
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